
O fast-food das drogas
“Tuim”, é assim que os usuários de crack se referem a sensação que a droga proporciona. Sensação essa que na primeira vez é prazerosa, euforia e bem estar, porém na segunda vez esses sintomas já desaparecem e o efeito já começa a ser nocivo. Há risco de hemorragia cerebral, delírios, convulsão, infarto agudo e morte. Entre todos esses efeitos, está as conseqüências mais graves: desestrutura familiar e exclusão do usuário.
O crack é visto como um fast-food das drogas por seu rápido acesso e efeito e quem o usa precisa de muitas pedras durante o dia, o que torna a droga cara, apesar de ter um preço ridículo de 5,00 por unidade. O usuário vai gastando seu dinheiro e seus bens. Logo depois que seus recursos acabam recorre a família. Passa a mentir, se torna agressivo, rouba, desobedece, é estimulado a se prostituir e vai tornando a convivência familiar um caos. A família despreparada tenta repreender o dependente que fica nervoso, e pode agir com muita violência contra seus entes. E assim a droga vai desestruturando os lares.
É unânime que o usuário desemboque em uma grave exclusão social. O padrão de consumo do crack é repetitivo, o usuário não se alimentará, não cuidará da higiene básica e aparência causando o preconceito por parte da sociedade com dependentes e ex-dependentes em tratamento, muitas vezes não há espaço para recuperarem suas vidas e são excluídos em vez de obterem ajuda. Toda sociedade que planta exclusão social colhe violência, 50% das mortes de usuários são por homicídio, 9% overdose e 4% afogamento, diz um estudo do Dr. Marcelo Ribeiro, pesquisador da Universidade de São Paulo.
Portanto pelas conseqüências apresentadas, podemos concluir que a droga não beneficia ninguém, só desestrutura famílias e causa exclusão aos usuários. Não basta apenas tentar impedir o ingresso de novas pessoas na dependência ou insistir a busca da abstinência. Tem que haver redução de danos para aqueles que aceitam largar o vício, um resgate da cidadania.



